L'Insoumis (bra: Terei o Direito de Matar?) é um filme noir franco-italiano de 1964 dirigido por Alain Cavalier e estrelado por Alain Delon ao lado de Lea Massari. O longa-metragem passa durante a Guerra da Argélia e Alain Delon interpreta Thomas Vlassenroot, um desertor da Legião Estrangeira Francesa na Argélia durante a revolta de 1961. Quando um ex-tenente que agora trabalha para a Organisation Armée Secrète lhe propõe sequestrar a advogada Dominique Servet (interpretada por Massari), Thomas aceita. Flagrado dando água a Dominique, Thomas foge após um tiroteio com seus colegas da OAS, que posteriormente começam a caçá-los. L'Insoumis não foi uma experiência totalmente feliz para Alain Delon. Ele sofreu ferimentos físicos durante as filmagens e a recepção do filme pelo público francês não foi positiva devido a sua temática pró-argelinos. Os censores insistiram em uma série de cortes que comprometeram a integridade artística da obra.
Enredo Thomas Vlassenroot (Alain Delon), cidadão de Luxemburgo, após seu divórcio, decide alistar-se na Legião Estrangeira Francesa. Ele é enviado para a Argélia, onde o filme se inicia com ele tentando em vão salvar um camarada ferido enquanto está sob fogo dos rebeldes. Thomas deserta para juntar-se à OAS por ordem do tenente Fraser (Georges Géret). Após o golpe de 1961, um Thomas desiludido deseja voltar para casa, mas concorda em participar de um plano para sequestrar a advogada Dominique Servet em troca de dinheiro suficiente para pagar contrabandistas que possam levá-lo de volta à França. Dominique Servet está em Argel trabalhando para a promotoria em um caso envolvendo europeus importantes, e suas testemunhas argelinas fazem dela um alvo da OAS. Enquanto vigia Dominique, a consciência de Thomas é despertada pela situação dela, e ele sente-se atraído por ela — Dominique implora que ele a liberte, mas, em vez disso, ele concorda em lhe dar água — o outro guarda, Amerio (um Pied-noir), avisa-o sob a mira de uma arma para não amolecer. Thomas também está armado, e os dois acabam atirando um contra o outro. Amerio é morto, enquanto Thomas fica ferido. Dominique paga a taxa de contrabando a Thomas em troca de ser libertada junto com outro prisioneiro. Thomas tranca Fraser quando ele aparece para verificá-los, e é avisado de que a OAS jamais deixará de caçá-lo se ele levar o plano adiante — a morte de Amerio pode ser perdoada, mas não a traição de libertar os prisioneiros. Fraser diz que Thomas estaria melhor se o matasse — mas Thomas se recusa a matar Fraser — para ele, isso seria assassinato. Ele coloca água na cela e diz à sua namorada Maria (cuja devoção ele só consegue retribuir parcialmente) para ir libertar Fraser quando ele já estiver em segurança fora da Argélia. Chegando à França, Thomas pega o trem de volta para Luxemburgo, mas durante uma parada em Lyon ele desembarca, aproveitando a chance de que Dominique possa ajudá-lo — e querendo vê-la novamente. Thomas encontra Dominique em casa, e um médico é chamado para ajudá-lo a ser internado em um hospital sob nome falso quando ela percebe a gravidade de seus ferimentos. Ela o leva para um quarto onde ele pode se esconder enquanto espera e, apesar de sua lealdade ao marido, acaba indo para a cama com ele ali. Fraser, que vinha observando a casa de Dominique, segue os dois até o quarto com um associado. Ele pretende matar ambos, mas demora demais explicando a Thomas que sua traição ao movimento foi desnecessária; ele teria cumprido a palavra de não puni-lo pela morte de Amerio. Fraser não consegue compreender as verdadeiras razões pelas quais Thomas fez o que fez, assim como não compreende por que ele próprio arriscaria a vida por um homem moribundo. Thomas pede um momento para ajustar suas ataduras e então atira no outro homem da OAS com uma arma que havia escondido sob os lençóis — novamente deixando Fraser vivo, porque não consegue matar a sangue-frio. Dominique o leva em seu Citroën DS. No caminho de volta para sua casa eles passam por bloqueios de estrada, são alvejados pela polícia e, finalmente, com a ajuda do compreensivo marido de Dominique, ele consegue cruzar a fronteira para Luxemburgo e chegar ao apiário de sua mãe. Ele está cada vez mais consciente de que seu ferimento não tratado será fatal, mas está obcecado em voltar para casa antes de morrer. Ele entra em casa e encontra sua filha pequena sentada à mesa. Ela se assusta com o que e quem vê diante de si e foge. O protagonista desaba no chão e morre enquanto passa a mão sobre o rosto como se fosse fechar os próprios olhos. Dominique, ainda esperando do lado de fora da cerca, grita seu nome. O filme se encerra em uma tela preta silenciosa com o nome de Thomas Vlassenroot e suas datas de nascimento e morte, 1933–1961.
Elenco Alain Delon como Thomas Vlassenroot Lea Massari como Dominique Servet Georges Géret como Tenente Fraser Maurice Garrel como Pierre Servet Robert Castel como Amerio Viviane Attia como Maria Robert Bazil como o pai de Maria Paul Pavel como Félicien
Produção O filme foi feito para a própria empresa de Alain Delon sendo distribuído pela Metro-Goldwyn-Mayer, para quem Delon também havia feito Mélodie en sous-sol (1963) e Les félins (1964). Ele tinha um contrato de cinco filmes com o estúdio e participaria de Once a Thief(1965) e The Yellow Rolls-Royce (1964).
Censura O longa-metragem foi proibido em fevereiro de 1965, Após uma queixa apresentada pela advogada Mireille Glaymann, que, tal como a heroína do filme, tinha sido raptada pela OAS em Argel em 1962. O advogado da Sra. Glaymann, Maître Matarasso, argumentou que a segunda parte do enredo poderia infringir a sua privacidade.
Na Cultura Popular Um frame da última cena com Alain Delon do filme foi usada pela banda de rock inglesa The Smiths para a capa de seu álbum The Queen Is Dead (1986).
Referências
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