Gonçalo Cotrim de Sousa (24 Fevereiro de 1999, Lisboa) é um analista político, empresário, criador de conteúdo digital e antigo candidato autárquico português. Tornou-se conhecido através da sua atividade no YouTube e nas redes sociais, onde desenvolveu o maior canal independente de comentário político na plataforma em Portugal. É frequentemente associado ao crescimento da comunicação política em Portugal, sendo apontado como uma das figuras ligadas à expansão do comentário político independente e à aproximação da análise política a um público mais jovem. Gonçalo Sousa estabeleceu-se como uma das figuras de maior projeção no comentário político online, acumulando mais de 230 mil subscritores e milhões de visualizações nas suas plataformas. O crescimento da sua comunidade independente foi analisado pela imprensa nacional como um caso de referência na forma como novos criadores digitais conseguem fixar a atenção do público e moldar o debate político fora dos formatos televisivos convencionais.
Impacto e Estilo de Comunicação Digital Gonçalo Sousa tornou-se conhecido no panorama digital português pela introdução de uma abordagem crossover à comunicação política, caracterizada pela adaptação da análise política tradicional à linguagem, aos formatos e às dinâmicas próprias das plataformas digitais. De acordo com analistas do setor, esta abordagem contribuiu para aproximar conteúdos tradicionalmente circunscritos ao meio académico e aos meios de comunicação social de um público mais alargado. O criador de conteúdo destacou-se pela realização de transmissões em direto de longa duração dedicadas à análise e ao comentário da atualidade política nacional e internacional, um formato até então com pouca expressão em Portugal. Em diversas ocasiões, estas transmissões registaram mais de cem mil espectadores em simultâneo. As transmissões baseiam-se na interação em tempo real com a audiência através do chat, configurando um modelo de comentário político independente do formato televisivo tradicional e da presença digital dos órgãos de comunicação social. O seu estilo caracteriza-se pela integração de enquadramento histórico, análise política, interpretação de dados e comunicação direta, acompanhado de um tom assertivo e polarizador, que gerou debate no ambiente digital em Portugal.
A sua atividade é frequentemente associada ao desenvolvimento da literacia política no espaço digital português, aproximando áreas como a ciência política, a economia e as relações internacionais de públicos tradicionalmente menos envolvidos no debate político convencional.
Atividade Digital Após afastar-se da atividade partidária direta, Gonçalo Sousa concentrou-se na produção de conteúdos digitais independentes direcionados para a análise política. Através do YouTube e das redes sociais, desenvolveu um dos fenómenos de maior alcance da comunicação política digital portuguesa, acumulando mais de 115 milhões de visualizações distribuídas pelos seus canais, alcançando o primeiro lugar entre os canais políticos portugueses e chegando ao 11.o lugar do ranking geral do YouTube em Portugal. Inicialmente associado ao crescimento da comunicação digital da direita portuguesa, o seu conteúdo evoluiu posteriormente para uma análise mais transversal da atualidade política e mediática. Esta evolução permitiu-lhe alcançar públicos para além da sua audiência original, incluindo espectadores do centro e da esquerda. Embora se identifique politicamente com a direita, Sousa tornou-se conhecido pela sua independência intelectual e pela análise crítica de partidos e figuras políticas de diferentes quadrantes ideológicos. Os seus conteúdos abordam frequentemente estratégias de comunicação, comportamento eleitoral e posicionamentos políticos, destacando tanto erros como acertos da direita e da esquerda. Esta abordagem contribuiu para a percepção de independência analítica junto de parte da sua audiência e para o crescimento de um público politicamente diversificado. Paralelamente à sua atividade mediática, fundou a marca Cultivem-se, dedicada à comercialização de produtos de merchandising.
Formação Académica Frequentou a Universidade Autónoma de Lisboa, onde concluiu a licenciatura em Ciências da Comunicação. Estudou igualmente na Universidad Pontificia Comillas, em Madrid, ao abrigo do programa Erasmus, na área das Relações Internacionais e Estudos de Segurança Nacional. Posteriormente, concluiu o mestrado em Ciência Política no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa
Início da carreira Antes de se dedicar em exclusivo à criação de conteúdo e ao empreendedorismo, Gonçalo Sousa desenvolveu atividade no setor privado na área de Risk & Compliance (Risco e Conformidade) numa empresa multinacional do setor de apostas desportivas online (iGaming), em Lisboa. Nessa função, transitou progressivamente de funções técnicas para cargos de liderança de equipa (Team Leader). De acordo com o próprio, a experiência corporativa e as metodologias de análise de risco influenciaram diretamente a sua abordagem pragmática no comentário político, tendo acumulado estas responsabilidades em simultâneo com as fases iniciais do seu canal de YouTube antes de se focar inteiramente nos seus projetos digitais e na sua empresa.
Percurso Político e Ideológico O percurso de Gonçalo Sousa iniciou-se na política partidária formal entre 2016 e 2017, período em que integrou as fileiras da Juventude Social Democrata (JSD), a estrutura juvenil do Partido Social Democrata (PSD). Em 2021, a convite do partido Chega, integrou as listas candidatas às eleições autárquicas desse ano no município de Oeiras, concorrendo na posição de candidato a vice-presidente da autarquia, numa lista que acabou por não eleger vereadores. A sua integração ocorreu numa fase em que já possuía expressão própria nas redes sociais e na comunicação política digital. Posteriormente, desempenhou funções de dirigente do Chega em Oeiras e assumiu um papel de destaque na atividade pública da Juventude Chega, participando regularmente em debates, palestras e iniciativas de formação política. Embora os principais cargos formais da organização juvenil fossem exercidos por outras figuras, Gonçalo foi frequentemente identificado por militantes, apoiantes e observadores políticos como uma das personalidades mais influentes na projeção pública do Chega, especialmente na mobilização de novos apoiantes e no desenvolvimento da estratégia digital do partido. Apesar da sua posterior desvinculação das estruturas do Chega, Sousa manteve presença no espaço político da direita, declarando publicamente o seu voto em João Cotrim de Figueiredo nas eleições presidenciais de janeiro de 2026.
Saída do Chega Gonçalo Sousa abandonou posteriormente o partido Chega. Em entrevistas, atribuiu a decisão a divergências ideológicas e económicas relativamente à evolução programática do partido, defendendo posições mais próximas do liberalismo clássico e criticando algumas das propostas económicas adotadas pelo Chega após os seus primeiros anos de existência.
Colaboração com o Observador Sousa colaborou regularmente com o programa Geração V, um espaço de comentário político associado ao Observador. A sua participação terminou depois do escândalo da RTP, tendo a saída sido apresentada publicamente no programa, como uma decisão do próprio comentador. Na emissão seguinte à sua saída, a comentadora Joana Marques Brás assinalou publicamente a participação de Sousa no formato, destacando que, apesar das profundas divergências ideológicas existentes entre ambos, o comentador revelou uma consistente capacidade de distinguir o debate político das relações interpessoais, contribuindo para um ambiente de discussão marcado pela civilidade e pelo respeito recíproco.
Controvérsia com a RTP (2025) Em outubro de 2025, a RTP Notícias anunciou a integração de Gonçalo Sousa como comentador político regular no programa Estado da Arte. A decisão gerou contestação pública, levando à criação de um abaixo-assinado promovido por ativistas de esquerda, que apelava à reversão da contratação, reunindo cerca de 40 assinaturas Petição Pública. Os críticos apontaram diversas publicações antigas do criador de conteúdos nas redes sociais, consideradas incompatíveis com as responsabilidades associadas ao comentário político no serviço público de televisão.
Os apoiantes de Gonçalo Sousa argumentaram que muitas das publicações citadas correspondiam a humor negro, sátira política e conteúdos produzidos no contexto da sua persona online, sustentando que várias declarações foram retiradas do contexto original ou interpretadas literalmente apesar da sua natureza humorística. Perante a controvérsia e a repercussão mediática do caso, a direção de informação da estação pública reviu a decisão e cancelou a colaboração antes da estreia do comentador no programa, conforme reportado nos esclarecimentos da RTP Notícias avançados pelo Público e pelo Expresso.
Desaparecimento de Atividade Pública Em março de 2026, Gonçalo Sousa voltou a ser alvo de cobertura jornalística na imprensa nacional devido ao facto de familiares terem reportado o seu desaparecimento às autoridades, após ter cessado os contactos pessoais e as publicações regulares nas plataformas digitais desde meados de fevereiro desse ano. O caso motivou ainda litígios paralelos envolvendo marcas associadas à sua imagem pública e órgãos de comunicação social, nomeadamente com queixas da marca Prozis contra publicações do jornal Expresso.
Rumores e esclarecimento sobre o afastamento A ausência prolongada gerou uma vaga de desinformação nas redes sociais TikTok e X (antigo Twitter), onde foram partilhados boatos falsos que especulavam sobre o falecimento ou suicídio do criador de conteúdos. Contudo, as autoridades policiais esclareceram que não existia qualquer indício de crime ou fatalidade. A imprensa reportou que Gonçalo Sousa manteve atividade online esporádica e interações privadas de bastidores nas redes sociais, confirmando que a ausência se trata de uma decisão voluntária de afastamento do espaço público e da criação de conteúdos. A sua ausência prolongada sem explicações públicas motivou forte especulação online, apontando para a possibilidade de um esgotamento (burnout).
Referências