Sirāt é um filme de drama de 2025 dirigido por Óliver Laxe, com roteiro escrito em parceria com Santiago Fillol. A trama acompanha Luis (Sergi López) e Esteban (Bruno Núñez Arjona), um pai e seu filho em busca da filha e irmã que desapareceu nos desertos do sul de Marrocos. O filme teve sua estreia mundial na competição principal do 78o Festival de Cannes em 15 de maio de 2025, onde ganhou o Prêmio do Júri. Foi lançado nos cinemas da Espanha em 6 de junho de 2025 pela BTeam Pictures e na França em 10 de setembro de 2025 pela Pyramide Films. Foi escolhido como o representante da Espanha para a categoria Melhor Filme Internacional no 98.o Oscar.

Enredo Uma multidão dança ao som de música eletrônica em um rave no sul de Marrocos. Um homem e seu filho distribuem folhetos com a foto de uma mulher desaparecida (sua filha e irmã, Mar) para as pessoas na festa. Um grupo de frequentadores do rave diz ao homem e ao garoto (Luis e Esteban) que outro rave acontecerá em seguida, mais adentro do deserto, e que a mulher desaparecida talvez esteja lá. Um grupo de soldados dissolve o rave e ordena que os europeus sejam evacuados. Os jovens (Stef, Jade, Tonin, Bigui e Josh) fogem do comboio em duas vans, e Luis e Esteban os seguem em sua van menor, junto com seu cachorro, Pipa. Um noticiário de rádio informa que um conflito armado entre dois países começou. Os jovens tentam dissuadir Luis e Esteban de segui-los, mas eles insistem. Indo para o sul, em direção a um local "próximo à Mauritânia", o grupo aumentado compartilha percalços e cria laços mais fortes, incluindo Luis pagando pelo combustível dos jovens, Pipa ficando doente (supostamente por ter comido fezes contaminadas com LSD), o grupo atravessando um rio com seus veículos, compartilhando comida e combustível, e Tonin improvisando um número musical enquanto o coto de sua perna executa uma espécie de show de marionetes. Uma transmissão de rádio informa que a Terceira Guerra Mundial está acontecendo. Ao cruzar um desfiladeiro, uma das vans fica atolada. O grupo conserta o veículo, mas Esteban e Pipa caem de um penhasco enquanto esperavam para trás na van compacta de Luis e morrem. Os membros restantes do grupo dirigem mais para o interior do deserto à procura de ajuda, e encontram um pastor nômade que não lhes dá atenção. Enquanto isso, Luis, em estado de choque, segue sozinho caminhando pelo deserto. Ele é resgatado por Jade e Stef. O grupo usa uma droga psicoativa e improvisa um rave no deserto com dois alto-falantes, porque Jade acha que isso poderia fazer bem no momento. Eles dançam. Enquanto estava em transe, Jade pisa em uma mina terrestre e morre. Tonin morre ao pisar em outra mina enquanto se aproxima de Jade. Percebendo que entraram em um campo minado, os membros restantes do grupo determinam que devem alcançar uma área rochosa presumivelmente livre de minas que está nas proximidades. Eles usam uma van sem motorista para tentar garantir um caminho livre de minas até a área rochosa. A van explode ao atingir uma mina. Eles repetem a operação com a segunda van, que também atinge uma mina, muda de direção antes de explodir ao ativar uma segunda mina, e falha em criar um caminho seguro. Impávido, Luis caminha com sucesso em linha reta até a área rochosa. Bigui o segue e morre. Stef e Josh o seguem de olhos fechados, alcançando o destino de Luis. Stef, Josh e Luis são vistos cruzando o deserto no teto de um trem, junto com outras pessoas.

Elenco Sergi López como Luis Bruno Núñez Arjona como Esteban Richard Bellamy como Bigui Stefania Gadda como Stef Joshua Liam Henderson como Josh Tonin Janvier como Tonin Jade Oukid como Jade

Produção

Em novembro de 2023, o filme, que ainda estava em desenvolvimento, recebeu uma bolsa de produção de 1,2 milhão de euros do Instituto de Cinema e Artes Audiovisuais da Espanha. Em janeiro de 2024, a Movistar Plus+ divulgou uma lista de cinco projetos de filmes a serem produzidos pela plataforma (incluindo o de Óliver Laxe, ao lado de projetos de Rodrigo Sorogoyen, Icíar Bollaín, Alberto Rodríguez e Ana Rujas). Esses filmes teriam lançamento tradicional nos cinemas, mas seu objetivo final seria ser exibidos na plataforma de streaming espanhola. Laxe descreveu seu projeto, que na época não tinha título, como uma história sobre "frequentadores de um rave em Marrocos, entre os quais um pai e um filho procuram por sua filha e irmã desaparecida", imaginando que seria "muito hipnótico e muito sensorial". Ele também se referiu ao filme como seu trabalho "mais político" e "mais radical". Além de Sergi López e Bruno Núñez Arjona, o filme também conta com um elenco de atores não profissionais. As filmagens principais ocorreram na Espanha e em Marrocos, de maio a julho de 2024. Devido a questões técnicas de financiamento, parte das gravações precisou ser feita na Espanha, por isso foram feitas buscas ativas por locais no país que pudessem substituir as áreas desérticas do Atlas e do Anti-Atlas marroquinos. Originalmente, Los Monegros foi considerado uma opção, mas Laxe foi persuadido a filmar na Rambla de Barrachina pelo coordenador da Aragón Film Commission. Laxe descreveu a área como "cinzelada pelos deuses", e o local, supostamente, deu a ele ideias para ajustar o roteiro. A equipe de produção filmou por um mês nas províncias de Teruel e Zaragoza, antes de se mudar para Marrocos por quatro semanas, onde filmaram perto de Errachidia e Erfoud. Laxe afirmou que a equipe de produção enfrentou calor intenso e tempestades de areia durante as filmagens em Marrocos. O filme foi gravado em película Super 16 mm.

Lançamento A empresa The Match Factory adquiriu os direitos de venda internacional do filme em 6 de maio de 2024. O trailer foi lançado em 6 de maio de 2025. O filme teve sua estreia mundial na competição principal do 78o Festival de Cannes em 15 de maio de 2025. Sirāt foi lançado nos cinemas espanhóis pela BTeam Pictures em 6 de junho de 2025, arrecadando aproximadamente 1,8 milhão de euros em seus primeiros 24 dias em cartaz. Até 7 de setembro de 2025, havia arrecadado um "robusto" total de 2,7 milhões de euros nas bilheterias espanholas. Distribuído pela Pyramide Films, seu lançamento nos cinemas franceses está programado para 10 de setembro de 2025. Após sua estreia em Cannes, a Neon adquiriu os direitos de distribuição do filme para a América do Norte, enquanto a Mubi (que é proprietária da The Match Factory) os adquiriu para Itália, Turquia e Índia. Várias outras distribuidoras adquiriram os direitos para suas respectivas regiões: Altitute (Reino Unido e Irlanda); Cine Video y TV (América Latina) Cinéart: Benelux (Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo); Pandora Film (Alemanha e Áustria); Filmcoopi (Suíça); Transformer (Japão); Challan (Coreia do Sul); Andrews Film (Taiwan); Madman Entertainment (Austrália e Nova Zelândia); New Horizons (Polônia); Triart Film (Suécia); Fidalgo (Noruega); Cinema Mondo (Finlândia); Feelgood Entertainment (Grécia); Nitrato Filmes (Portugal); MCF MegaCom (ex-Iugoslávia); Transilvania Film (Romênia); Aerofilms (República Tcheca e Eslováquia), Cirko Film (Hungria) e A-One Films (Países Bálticos). A trajetória do filme em festivais também incluiu seleções para exibições no Festival Internacional de Cinema da Nova Zelândia e no 31o Festival de Cinema de Sarajevo. Para sua estreia norte-americana, Sirāt foi exibido no programa 'Special Presentations' do 50o Festival Internacional de Cinema de Toronto em 5 de setembro de 2025. O filme também foi selecionado para a seção 'Made in Spain' do 73o Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, para a programação do 20o Fantastic Fest (para sua estreia nos EUA), para a seleção principal do 63o Festival de Cinema de Nova Iorque, para a programação do Beyond Fest 2025, para a seção 'Dare' do Festival de Cinema de Londres 2025, para a programação do Festival Internacional de Cinema de Santa Fe 2025 e para a competição internacional do 61o Festival Internacional de Cinema de Chicago.

Recepção

Resposta crítica

No site agregador de críticas Rotten Tomatoes, 96% das 50 avaliações dos críticos são positivas, com uma classificação média de 8,1/10. O consenso do site afirma: "Um lembrete brutal de que a jornada pode ser mais importante que o destino, Sirāt é um exercício inesquecível de tensão que atinge o público como um soco surdo de graves no rosto." O Metacritic, que usa uma média ponderada, atribuiu ao filme uma pontuação de 82 de 100, com base em 13 críticos, indicando "aclamação universal". Após sua estreia no festival, Sirāt foi eleito o melhor filme na Pesquisa de Críticos de Cannes 2025 realizada pela IndieWire. Jessica Kiang, da Variety, chamou o filme de "uma visão brilhantemente bizarra e com potencial para virar cult da psicologia humana testada até seus limites". Ela elogiou a cinematografia de Mauro Herce e a trilha sonora de Kangding Ray. Damon Wise, do Deadline, escreveu: "Parte road movie existencial, parte ficção científica apocalíptica, [o filme é] uma mistura intrigante de Zabriskie Point e Fury Road que começa com tudo, mas termina em um tom curiosamente soturno." Ele elogiou o design de som de Laia Casanova. Lovia Gyarkye, do The Hollywood Reporter, ecoou esses sentimentos, elogiando o design de som de Casanova, mas observando que o filme "fica confuso perto do fim". David Katz, da IndieWire, deu a Sirāt uma classificação 'A-', descrevendo-o como pertencente a um tipo de filme [que é] "sui generis e que evade qualquer classificação, emanando de uma visão de cinema totalmente pessoal, sem deixar de oferecer prazeres galvanizadores e, por vezes, populares". Renaud Baronian, do Le Parisien, encontrou reminiscências da saga Mad Max no filme, mas também de Lost Highway, The Wages of Fear, Sorcerer, Zabriskie Point, Gerry e Nomadland. John Bleasdale, da Time Out, elogiou-o como "assustadoramente original, chocantemente hilário e profundamente perturbador". Fabien Lemercier, da Cineuropa, escreveu que Laxe "consegue magistralmente criar um filme experiencial inesquecível [...] sobre o homem e o mundo, o coletivo e o individual, o ser e o nada, a radicalidade e a universalidade, o íntimo e o cósmico." Carlos Boyero, do El País, descreveu o filme como "estranho no melhor sentido". Manuel J. Lombardo, do Diario de Sevilla, concedeu quatro estrelas a Sirāt, concluindo que o filme "nos convida a uma experiência limite da qual é difícil sair ileso ou indiferente". Em junho de 2025, a IndieWire posicionou o filme na 25a posição em sua lista "Os 100 Melhores Filmes dos Anos 2020 (Até Agora)".

Prêmios e indicações

Referências

Ligações externas Sirāt no IMDb