Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel receberam o PrĂȘmio Nobel de Medicina de 2026 nesta segunda-feira (5), por descobertas que levaram ao desenvolvimento da optogenĂ©tica, tĂ©cnica capaz de controlar cĂ©lulas nervosas com luz.

PrĂȘmio Nobel da Medicina: como uma alga ajudou cientistas a criar um “interruptor” para o cĂ©rebro
PrĂȘmio Nobel da Medicina: como uma alga ajudou cientistas a criar um “interruptor” para o cĂ©rebro · Imagem: Source: olhardigital.com.br

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PrĂȘmio Nobel da Medicina: como uma alga ajudou cientistas a criar um “interruptor” para o cĂ©rebro
PrĂȘmio Nobel da Medicina: como uma alga ajudou cientistas a criar um “interruptor” para o cĂ©rebro · Imagem: Source: olhardigital.com.br

O mĂ©todo permite investigar, no cĂ©rebro vivo, como circuitos especĂ­ficos participam de memĂłrias, sentimentos e comportamentos. A descoberta tambĂ©m abriu novas frentes de pesquisa sobre distĂșrbios neurolĂłgicos e possĂ­veis aplicaçÔes mĂ©dicas.

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PrĂȘmio Nobel da Medicina: como uma alga ajudou cientistas a criar um “interruptor” para o cĂ©rebro · Imagem: Source: olhardigital.com.br

Desenvolvida a partir de proteĂ­nas de algas, a optogenĂ©tica rendeu o Nobel de Medicina 2026 e abre caminho para devolver a visĂŁo a cegos. – Imagem: Divulgação/The Nobel Prize Foundation

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Imagem da matĂ©ria: PrĂȘmio Nobel da Medicina: como uma alga ajudou cientistas a criar um “interruptor” para o cĂ©rebro · Imagem: Desenvolvida a partir de proteĂ­nas de algas, a optogenĂ©tica rendeu o Nobel de Medicina 2026 e abre caminho para devolver a visĂŁo a cegos. – Imagem: Divulgação/The Nobel Prize Foundation

Como algas inspiraram o “interruptor” do cĂ©rebro

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PrĂȘmio Nobel da Medicina: como uma alga ajudou cientistas a criar um “interruptor” para o cĂ©rebro · Imagem: Source: olhardigital.com.br

A descoberta começou com uma pergunta simples: como a alga unicelular Chlamydomonas conseguia nadar em direção à luz? No início dos anos 2000, Peter Hegemann e Georg Nagel encontraram na superfície do organismo a canalrodopsina, proteína que abre um canal na membrana celular quando recebe luz azul. A entrada de íons provoca uma mudança elétrica.

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PrĂȘmio Nobel da Medicina: como uma alga ajudou cientistas a criar um “interruptor” para o cĂ©rebro · Imagem: Source: olhardigital.com.br

A partir daí, surgiu a possibilidade de levar esse mecanismo para outros tipos de células. Karl Deisseroth introduziu o gene responsåvel pela produção da proteína em neurÎnios de ratos. Quando iluminadas com luz azul, as células passaram a produzir sinais nervosos.

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PrĂȘmio Nobel da Medicina: como uma alga ajudou cientistas a criar um “interruptor” para o cĂ©rebro · Imagem: Source: olhardigital.com.br

O avanço foi publicado em 2005. Dois anos depois, Deisseroth demonstrou que o mecanismo também funcionava no cérebro de camundongos vivos. O método passou a ser conhecido como optogenética.

PrĂȘmio Nobel da Medicina: como uma alga ajudou cientistas a criar um “interruptor” para o cĂ©rebro
PrĂȘmio Nobel da Medicina: como uma alga ajudou cientistas a criar um “interruptor” para o cĂ©rebro · Imagem: Source: olhardigital.com.br

A virada de chave na neurociĂȘncia

"Luz que controla células: Quando o feixe de luz azul atinge a proteína na superfície da célula, ela funciona como um 'interruptor'. O canal se abre, íons entram e um sinal elétrico é disparado.
"Luz que controla cĂ©lulas: Quando o feixe de luz azul atinge a proteĂ­na na superfĂ­cie da cĂ©lula, ela funciona como um 'interruptor'. O canal se abre, Ă­ons entram e um sinal elĂ©trico Ă© disparado. · Imagem: A optogenĂ©tica usa luz para ativar ou silenciar neurĂŽnios especĂ­ficos e investigar o funcionamento do cĂ©rebro vivo. – Imagem criada por inteligĂȘncia artificial: Gemini/Olhar Digital

O grande diferencial estava no controle. Métodos de estimulação elétrica podiam atingir diferentes células e estruturas ao mesmo tempo, dificultando a identificação do papel de cada grupo de neurÎnios. Com a optogenética, os pesquisadores passaram a ativar ou silenciar células específicas e observar o efeito dessa intervenção.

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Imagem da matĂ©ria: PrĂȘmio Nobel da Medicina: como uma alga ajudou cientistas a criar um “interruptor” para o cĂ©rebro · Imagem: Source: olhardigital.com.br

A técnica ampliou as possibilidades de investigação em åreas como:

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- relação entre circuitos neurais e doenças neurológicas;

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- mecanismos envolvidos em transtornos psiquiĂĄtricos;

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- funcionamento de grupos especĂ­ficos de neurĂŽnios;

- desenvolvimento de estratégias para futuras aplicaçÔes clínicas.

A optogenética oferece oportunidades para mapear o cérebro de uma maneira que antes só podíamos sonhar.

Per Svenningsson, presidente do ComitĂȘ do Nobel de Fisiologia ou Medicina, em nota.

A tecnologia tambĂ©m começou a ser estudada em pesquisas que tentam restaurar a visĂŁo de pessoas com deficiĂȘncia visual.

A optogenĂ©tica usa luz para ativar ou silenciar neurĂŽnios especĂ­ficos e investigar o funcionamento do cĂ©rebro vivo. – Imagem criada por inteligĂȘncia artificial: Gemini/Olhar Digital

Vencedores e premiação

Deisseroth Ă© professor de Bioengenharia e de Psiquiatria e CiĂȘncias do Comportamento na Universidade Stanford e atua no Howard Hughes Medical Institute, nos Estados Unidos. Hegemann Ă© professor sĂȘnior de NeurociĂȘncia na Universidade Humboldt de Berlim, enquanto Nagel Ă© professor de Fisiologia Molecular de Plantas e BiofĂ­sica na Universidade de WĂŒrzburg, ambas na Alemanha.

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Os trĂȘs vĂŁo dividir 12 milhĂ”es de coroas suecas, cerca de R$ 6,2 milhĂ”es. Eles tambĂ©m receberĂŁo diploma e medalha.

O reconhecimento encerra anos de pesquisa iniciados com o comportamento de uma pequena alga e que acabaram criando uma nova maneira de investigar o funcionamento do cĂ©rebro. Para Juleen Zierath, membro do Instituto Karolinska, o reconhecimento cientĂ­fico pode levar tempo: “Na maioria das vezes, levamos muitos anos atĂ© que o campo cientĂ­fico reconheça que a descoberta que vocĂȘ fez Ă© uma distinção que deveria ser considerada para um PrĂȘmio Nobel”.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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Bruno Capozzi

Bruno Capozzi Ă© jornalista, mestre em CiĂȘncias Sociais e editor executivo do OD.

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Tags: cĂ©rebro NeurociĂȘncia neurĂŽnios optogenĂ©tica PrĂȘmio Nobel de medicina