Uma anotação no diário de bordo do USS Texas descreve a manobra sem espetáculo: em 15 de junho de 1944, a tripulação começou a inclinar o navio 2 graus para estibordo, enchendo compartimentos laterais desse lado. O registro está na página digitalizada daquele dia, durante a campanha da Normandia.

Estibordo é o lado direito de quem olha para a proa. A água introduzida ali produzia uma inclinação lateral deliberada. A cronologia comentada do arquivo Battleship Texas associa o procedimento à necessidade de alcançar alvos que ficavam além do alcance disponível dos canhões.

O princípio era alterar a posição da plataforma que sustentava as armas. Inclinar o casco permitia aumentar a elevação útil dos canhões na direção de tiro. Era uma alteração deliberada da posição do casco enquanto o navio continuava em operação.

Maquete naval em suporte ajustável; cena fictícia, sem reproduzir o ângulo histórico. Imagem gerada por IA

O que o relatório acrescenta

O relatório de ação, na página dedicada ao bombardeio final, informa o disparo de 24 projéteis de 14 polegadas naquele dia. Diário e relatório ajudam a reconstruir a operação, embora sejam documentos produzidos pelo mesmo navio.

A data merece atenção: a manobra ocorreu em 15 de junho, depois dos desembarques do Dia D, em 6 de junho de 1944. Não há, nesses registros, base para atribuir à inclinação do Texas o resultado de toda a campanha.

A história dos navios também pode ser reconstituída por vestígios materiais, como mostra a arqueologia do Sacramento, naufragado na Bahia. No caso do Texas, o ponto de partida é a anotação feita a bordo.

Outro recorte da vida em um navio militar aparece na história de Simon, o gato do HMS Amethyst. Aquele relato acompanha um animal a bordo; o registro do Texas mostra como a tripulação ajustou o próprio casco às exigências do tiro.

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